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sábado, 1 de março de 2014

Pai superprotetor, filho inseguro


(Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/)

"Pais erram ao assumir tarefas que os filhos já teriam condições de fazer, impedindo o seu desenvolvimento emocional e social.

Eles ganharam o apelido de “pais helicóptero”, termo criado nos Estados Unidos para definir os chefes de famílias nas quais os filhos são criados sob vigilância próxima, constante e barulhenta. A comparação faz sentido, uma vez que alguns pais gastam energias tentando poupar crianças e adolescentes de perigos e frustrações, preocupados em excesso com a sua proteção. Es­ta atitude, de acordo com psicólogos, mais atrapalha do que colabora.
Apesar de terem conceitos opostos, negligência e superproteção se igualam se considerados seus riscos para o desenvolvimento emocio­nal, social e até físico dos pequenos. Pais superprotetores não só limitam as experiências do filho na tentativa de proibir tudo que possa pôr em risco sua integridade como prejudicam a sua auto­nomia ao assumir tarefas que o filho já teria condições de desempenhar.
O fato de que há cada vez mais famílias com filhos únicos e pais tardios piora esse quadro. Nessas circunstâncias, em muitos ca­­sos as crianças são aguardadas ansiosamente e vistas como um projeto no qual se exige demais que elas sejam bem preparadas e mais bem sucedidas para enfrentar o dia a dia de uma sociedade altamente competitiva. Ao mesmo tempo, o medo de que o filho sofra algum tipo de violência agrava a tendência paternal de impedi-lo de arriscar-se em situações normais da vida.
Para evitar esses exageros, é preciso buscar o bom senso, explica a psicóloga Graziela Sapienza, professora de Psi­cologia da Pontifícia Uni­versidade Ca­tó­lica do Pa­raná (PUCPR). “Os pais devem proteger os filhos de situações estressantes e perigosas, porém é importante que os filhos passem por situações frustrantes e as superem com o apoio dos pais”, afirma.
Curso natural
A aprendizagem ao longo da vida ocorre por “tentativa e erro”, por meio de experiências e também de regras e limites externos. Nesse cenário, os pais que utilizam exclusivamente a terceira forma para ensinar os filhos devem ter em conta que, se seguir os conselhos ou ordens de outras pessoas pode diminuir a probabilidade de algo dar errado, este comportamen­to limita ao mesmo tempo as possibilidades de ação e criatividade. “Regras são importantes e devem fazer parte da educação, mas pais superprotetores tendem a usar apenas essa forma de ‘ensinar’, não permitindo que os filhos entrem em contato com as contingências ou aprendam na prática como se rela­cionar com o mundo”, diz a psicóloga Silvia Aparecida Fornazari, do Departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento da Uni­­versidade Estadual de Lon­drina (UEL).
Os prejuízos dessa maneira de educar também atingem os pais. Próximo de uma criança superprotegida há geralmente um pai sobrecarregado e frustrado. “Se minha autoestima não está bem, arranjo uma desculpa não consciente para es­tar sempre de olho em meu filho e assim não prestar atenção às minhas necessidades e inseguranças”, exemplifica a psicóloga e terapeuta de família Carla Cramer. Con­fira nos quadros ao lado as conse­quências que uma educação superprotetora sobre as crianças e dicas das especialistas para reverter essa situação.
Na medida certa
Confira dicas de especialistas para incentivar a autonomia e independência dos filhos:
- Observe o comportamento de seu filho ao liberá-lo para novas experiências, mesmo que isso signifique acompanhá-lo a distância nas primeiras iniciativas – como, por exemplo, quando que ele for à panificadora sozinho.
- Não exija da criança um comportamento exemplar nas primeiras tentativas. Ao aparecerem os erros, oriente, apoie e incentive.
- Se perceber que seu filho ficará triste se permanecer na reserva durante um jogo, não o impeça de participar e o estimule a treinar mais.
- Pergunte ao seu cônjuge, familiares e amigos se eles o consideram protetor demais. Reflita a respeito e converse com o seu filho sobre suas preocupações, mostrando que confia nele.
- Avalie se as preocupações com o seu filho o afastam do seu parceiro e atrapalham seu sono ou trabalho. Se a resposta for positiva, repensar suas prioridades trará benefícios não só para o seu filho, mas para toda a família.
Exame de consciência
Veja algumas características dos personagens das famílias nas quais reina a superproteção:
O pai superprotetor
- Costuma justificar seus atos com frases como: “Meu filho não precisa passar por isso” ou “Ninguém cuida dele tão bem quanto eu”.
- Não considera a opinião das crianças, dirige suas escolhas e tem medo de que elas errem e sofram por causa disso.
- Prefere que o filho não se exponha a situações que possam feri-lo, como uma competição esportiva. Ao ver o filho em atividades físicas, dá orientações excessivas para que ele não se machuque.
- Geralmente se enquadra no perfil de pessoas que foram pais mais velhos, que adota ou que tiveram um filho único ou prematuro, assim como os que sentem culpa por trabalhar muito.
Os filhos superprotegidos
- Podem crescer ansiosos, perfeccionistas, competitivos, dependentes e indecisos.
- Na adolescência costumam ser mais desafiadores e irresponsáveis, acham que todos têm de satisfazer suas vontades.
- Demoram mais tempo para sair da casa dos pais, têm problemas de relacionamento em casa e no trabalho. A falta de capacidade de lidar com problemas faz com que se sintam incompreendidos e injustiçados.
1,8 filho
é a quantidade média por família no Brasil, segundo o IBGE. Pais com poucos filhos costumam ser mais superprotetores.
Sem desligar das crianças
Na casa de Ana Luiza, 7 anos, internet só com restrição de conteúdo. O celular terá de esperar a adolescência e, por enquanto, nada de dormir na casa de colegas ou tomar refrigerante. Como a menina nasceu prematura, os pais, Rodrigo e Paola Fiorin, contam que o cuidado redobrado nos primeiros meses de vida acabou gerando o comportamento considerado por alguns como superprotetor.
“Dizem que somos muito rígidos, mas achamos que os outros é que são desligados com as crianças”, diz Ro­­drigo, que tem 31 anos e é professor universitário. O ca­­sal também tem Rodrigo, 1 ano e meio, mas conta que com ele não está tão fácil ficar de marcação cerrada. “Não sei se é porque ele é menino ou se é porque estamos no segundo filho”, conta.
Outra superprotetora assumida, a fisioterapeuta Josele Ribas conta que até esquece que a filha, Maria Caroline, 6 anos, já não é mais bebê. “Faço tudo para ela, dou banho e às vezes dou até comida na boca. As raríssimas vezes em que ela saiu sem mim, fiquei ligando toda hora”, conta. À medida que a filha cresce, contudo, acaba mostrando para a mãe que pode se virar sozinha. “Quando ela foi para a escolinha pela primeira vez e depois quando começou a ir de van ela ficou numa boa, feliz da vida. Eu é que fiquei frustrada por ela nem sentir minha falta”, diz."

sábado, 21 de dezembro de 2013

Luz de Aine

Aine também foi considerada como um dos aspectos da Deusa Mãe celta Ana, Anu, Danu ou Don. 
Sobreviveu às perseguições cristãs ao ser transformada nas lendas em uma “Fada Rainha", transformada numa deusa-fada do amor, da  fertilidade e prosperidade. Suas festividades iniciam com solsticio de verão. Os camponeses caminhavam com tochas acesas pelos campos plantados pedindo as bênçãos e a luz de Aine para a abundância das colheitas. As mulheres idosas queimavam ervas aromáticas para purificar as casas e afastar as doenças. Ajudava os viajantes da floresta, que a chamavam quando estavam perdidos, batendo três vezes numa árvore de flores brancas. Os antigos consagravam a essa deusa o dia 15 de junho.
Rege a 'lenda', que Aine é irmã gêmea de Grian, a “Rainha dos Elfos”, Grian e Aine alternavam-se na regência do ciclo solar na Roda do Ano, trocando de lugar a cada solstício. Foi mencionada pela primeira vez em 890-910 no dicionário Sanas Cormaic com explicações em latim da etimologia dos termos irlandeses.Na literatura ela foi descrita como uma “Rainha das Fadas”, a mais famosa sendo Titânia, da peça “O sonho de uma noite de verão” de Shakespeare.


Img: Google


"Áine,  Senhora solar, Deusa Feérica, soberana da luz!
Rainha das fadas que caminha na terra da eterna juventude.
Deusa do amor, cujo nome significa 'prazer, alegria, esplendor! 
Que seu brilho clareie nossos caminhos e aqueça nossos corações.
Ilumine nossas manhas, nos trazendo o aroma  dos seus campos floridos!
Harmonia para todos os seres! Alegria para os nossos dias!
Faz morada de luz e encanto na alma daqueles que estão na sombra


Fonte:http://www.teiadethea.org/?q=node/216

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

A Lua e seus misterios...



O fascínio da Lua resiste, ao longo dos séculos, ela foi a primeira referência para a medição do tempo para os povos antigos. Para marcar a passagem do tempo, o calendário primitivo baseava-se nos ciclos da Lua, que tinha ligação com os ciclos menstruais, com as colheitas, os plantios e a fertilidade.
 A Lua sempre foi fortemente associada à mulher. A começar pelo ciclo menstrual: o período regular, de 28 dias, é o mesmo tempo que o astro leva para cruzar o céu e passar pelas quatro fases.Oceltas, faziam parte desses povos, que assimilavam o ciclo lunar ao ciclo menstrual.

Para o povo cigano, a lua simboliza a magia e os mistérios. Usada geralmente pelas ciganas, para atrair percepção, o poder feminino, a cura e o exorcismo atentando sempre as fases: nova, crescente, cheia e minguante. A lua cheia é o maior elo de ligação com o sagrado, sendo chamada de madrinha. As grandes festas sempre acontecem nas noites de lua cheia. 

Na pré-história, os homens levantavam templos de pedras, como o de Stonehenge, na Inglaterra (foto), para observar os fenômenos da Lua. No século XVII, o italiano Galileu Galilei fez grandes descobertas utilizando uma luneta. Em 1969, finalmente o homem pisou na Lua. Sem a Lua, seria difícil conhecer a própria Terra. Há milênios, os gregos olharam para o nosso satélite, mais precisamente a sombra circular que se projetava sobre a Lua cheia (eclipse) e compreenderam que a Terra era redonda. Depois, calcularam a dimensão da Lua e da Terra, assim como a distância entre elas. Foi observando a cadência da Lua que o homem começou a entender o tempo. Quando tudo começou, o dia e a noite já estavam criados. Mas ainda faltavam a semana e o mês e foi a Lua que deu as indicações, com suas quatro fases que se repetem ciclicamente. Já que cada fase lunar dura, aproximadamente, 7 dias, concebeu-se a semana (“septimana”, em Latim), reconhecida oficialmente somente no ano 325 depois de Cristo. O primeiro dia foi dedicado ao Sol e o segundo à Lua. Depois o homem percebeu que para a Lua completar um ciclo inteiro (uma lunação), devia-se esperar 29 dias. Assim apareceu o mês. Mas era preciso um espaço de tempo maior para medir viagens, construções e a vida do homem. O próximo passo foi a fixação do ano, com seus 12 meses. O nosso calendário com 365 dias, leva em conta o tempo que a Terra precisa para cumprir uma volta completa em torno do Sol. Mas, até hoje, os muçulmanos seguem o antigo calendário lunar, que começa sempre na Lua Nova.
10 Curiosidades sobre a lua

'Para a psicóloga Liliana Wahba, a explicacão com as fases lunares, é que funcionariam como um espelho do ciclo de vida e morte. “O homem projeta nesse espelho todas as suas experiências, ou seja, sua própria existência.'”(http://super.abril.com.br)



Mistérios ainda não decifrados da Lua | Scientific American Brasil


Venerada como divindade entre as antigas civilizações, a Lua é um símbolo feminino, associado à fecundidade, à fragilidade, à ilusão e à pureza. Diz ainda como compreendemos o universo maternal e feminino. A Lua é o pêndulo da Terra, exerce influência irrefutável, não só sobre os mares do nosso planeta, mas também na psiquê e no espírito humano. A Lua rege a nossa alma, os nossos sonhos, as nossas fantasias e outras manifestações do “eu” profundo e inconsciente.




 As Fases da Lua:



Lua Crescente

É a fase de força benética e crescente; rege tudo o que se relaciona à recuperação ou ao aumento das energias fisicas e mentais, às novas uniões (bodas, associações, amizades e etc.), à prosperidade material e à proteção e boa sorte em viagens, mudanças e traslados.


Lua Cheia

É o momento de maior esplendor mágico. Na lua cheia são favorecidos os bons acontecimentos, normalmente, difíceis de realizar. É também a fase preferida para alcançar visões do futuro e do passado.


Lua Minguante

Fase que beneficia tudo que se relaciona ao fim dos ciclos ou à reversão de influências negativas. Obter a finalização favorável de uma situação difícil (de saúde, trabalho, afetos, estudos e etc.) , neutralizar e se livrar das vibrações malignas.


Lua Nova

"Inicio de um novo ciclo, cuja primeira fase protege todo o principio." Fase que beneficia a renovação, a focar na boa fortuna e na proteção dos nascimentos (de pessoas e animais), à germinação do que fora semeado e ao inicio dos anos e meses.  



Fontes:

 Scientific American Brasil; http://www.vocesabia.net; O livro secreto da magia celta;

http://www.mundocigano.com.br/simbolos.html; http://super.abril.com.br;terra.com.br

Patê light de salsinha e hortelã


INGREDIENTES:

  • 1/2 xícara de chá de suco de limão Taiti
  • 1/2 xícara de chá de vinagre
  • 1 xícara de chá de azeite extra virgem
  • 10 ramas de hortelã
  • 3 cebolas média
  • 3 dentes de alhos grande
  • 1 maçã nacional
  • 1 pêra
  • 2 maços de salsinha
  • 1 maço de cebolinha
  • 4 colheres de sopa de linhaça (sementes)
  • 1 e 1/2 colheres de sopa de sal
  • Noz-moscada a gosto
  • Louro em pó a gosto

MODO DE FAZER:
  1. Em um liquidificador coloque o azeite extra virgem, o vinagre, o suco de limão, o sal, a linhaça, cebolas, os dentes de alhos, maçã, pêra, pitada de noz-moscada, o louro em pó
  2. Bata tudo por 4 minutos
  3. Depois coloque aos poucos as salsinhas, hortelã e as cebolinhas
  4. Bata até triturar bem
  5. Depois guarde em geladeira
  6. Sirva gelado
  7. Desce bem com torradas e bolachas em geral


Fonte: http://www.tudogostoso.com.br/receita/90501-pate-light-de-salsinha.html

terça-feira, 20 de agosto de 2013

A Boa Educação e o Bom Senso

Nesses tempos de inversões de valores, a midia e o avanço da tecnologia em muito so atrapalham.
A troca de gentilezas vai alem de repetir ou compartilhar em rede social a celebre frase: " Gentileza gera gentileza". 
A ignorancia de achar que etiqueta eh coisa de burguês ou que eh frescura ou pior, que tira liberdade de ser Oo, se explica muito o porque da liberdade se confundir com libertinagem. Explica tambem, a falta de educação, de gentileza, de bom senso e muito tipo de comportamento que se ve e no dia-a-dia. 
Perde-se a magia....e a sensualidade  se confunde com vulgaridade. Quem me le, ateh  imagina-me conservadora, antiquada...rss, mas nao, disso nao tenho nada. So acho, que nao importa o tempo, a educação eh uma soh e me falar de educação sem um mínimo de etiqueta, poupe-me. Tudo bem que nao eh obrigação saber como por uma mesa requintada, mas falo do basico do dia-a-dia =)
Acho eu, que a Etiqueta deveria ser cada vez mais valorizada e aplicada nas escolas; afinal, o mundo  nesse ritmo louco e todos querendo uma melhor qualidade de convivio. Ameniza o estresse, constroi um maior compromisso com o civismo, humaniza.
Infelizmente, os pilares de muitos lares andam fracos e a educação dada, cada vez mais ineficiente ou caotica como se ve nas escolas. Entao, relembrarei aqui e, como talvez, a nova geração nunca tenha ouvido falar em etiqueta, acho valido trazer essas informações ;)







Obedecer as placas e avisos :





Etiqueta no Transito****** NAO DIRIGIR FALANDO AO CELULAR

         Etiqueta no Trabalho

Serenidade


Significado de 'serenidade' : 'Característica ou particularidade do que é sereno; que se apresenta de maneira serena; sem agitações e/ou perturbações.'

Serenidade e qualidade de vida
Entrevista no AT Cotidiano (Jornal O Alto Taquari ) com a psicóloga Bernardete Pretto.


AT – Qual a importância da serenidade para a qualidade de vida?
Psicóloga Bernardete Pretto - Para responder a esta pergunta, é necessário pensar primeiro no que é serenidade. Confesso que, para escrever a este respeito, tive que buscar lá no meu íntimo, um pouco distante da consciência, aquilo a que esta palavra me remete. Também fui ler um pouco de filosofia, tentando encontrar nela algo que me iluminasse. Encontrei no dicionário sinônimos como “tranquilidade”, “que denota paz e tranquilidade de espírito”. E fiquei pensando que este conceito é difícil de definir porque, na atualidade, essa é uma característica que se encontra distante, bem distante da vida das pessoas.  Infelizmente porque o nosso ritmo de vida agitado, acelerado, quase exaustivo na maior parte do tempo, tem nos afastado da tranquilidade, bem como da generosidade, da compaixão, da gratidão, da tolerância e de tantas outras virtudes que contribuem para que sejamos mais humanos e mais felizes. Ou seja, acredito que a serenidade é, sim, de fundamental importância para a qualidade de vida, entendida no seu sentido pleno e principalmente no sentido de condição para a felicidade. Não acredito que ela seja uma constante em todos os momentos da vida, mas ela pode ser entendida como um estado de espírito, uma forma de se relacionar com as coisas da vida. Estar sereno é, talvez, poder manter-se equilibrado diante dos fatos e circunstâncias da vida, é não perturbar-se desnecessariamente e desmedidamente por aquilo que não podemos modificar. É também poder aceitar, de certa forma, nossas limitações e as limitações que a vida nos impõe.
AT – Desligar-se do mundo exterior é fundamental para a serenidade plena? Por quê?
Bernardete - Em certo sentido, diria que sim, é necessário desligar-se do mundo exterior para atingir a serenidade. No entanto, é preciso entender este “desligar-se” não como uma pura negação do exterior, o que implicaria num estado de alienação, mas sim como uma possibilidade de diminuir a interferência deste exterior. Seria, como falei na questão anterior, encontrar o equilíbrio entre exterior e interior, entre o mundo e a minha intimidade, minha vida pessoal. Podemos entender isto mais claramente se pensamos o quanto somos, a todo momento, desafiados a deixar um pouco de lado os problemas do nosso cotidiano para pensarmos e nos darmos conta de nós mesmos, das nossas necessidades, gostos, desejos… Se não nos desligamos um pouco da realidade, ela nos massacra e nos afasta de nossa essência.
AT – Por que é tão difícil manter ou ter serenidade? As características do mundo atual têm influência sobre nossa serenidade (excesso de trabalho, responsabilidades, informações, etc)?
Bernardete - Sem dúvida, como já mencionei, as características e exigências do mundo atual influenciam na capacidade de mantermos a serenidade. Não há como duvidar do fato de que é extremamente complicado para a maioria das pessoas “desligar-se” dos problemas e poder, por exemplo, agir com calma, refletir tranquilamente, dar tempo ao tempo. Até mesmo porque estas características, antigamente vistas como qualidade, hoje são julgadas como traços de pessoas preguiçosas, não “antenadas”, não qualificadas para competir e se dar bem na vida. Assim, entende-se que pessoas serenas precisam ser muito fortes para resistir a esta pressão externa e não se deixarem afetar pelo comportamento da massa, dos que acabam ditando a forma de pensar, de agir, de ser no mundo.
AT – É possível aprender a tornar-se uma pessoa serena? Como? Ou isso já é uma característica relacionada à personalidade própria de cada pessoa?
Bernardete - Acredito que seja possível aprender a lidar com a vida de uma forma serena, pois não vejo esta como uma qualidade dependente unicamente da personalidade própria de cada pessoa. Ou seja, não penso que algumas pessoas nasçam serenas e outras não, porém, acredito na influência de fatores que atuam desde o início da nossa vida e que interferem na forma como interagimos com o mundo. Por exemplo, é comprovado que bebês que tenham vivido tanto intrauterinamente quanto nos primeiros anos de vida em ambientes tranquilos, acolhedores, com pessoas afetivas e com uma visão positiva do mundo, mostram-se na vida adulta muito mais equilibrados interiormente. Mas mesmo pessoas que não tenham vivenciado experiências tão positivas podem desenvolver a serenidade com o auxílio de algumas mudanças de atitude. A primeira delas e a mais importante, do meu ponto de vista, é querer de fato, verdadeiramente, mudar seu comportamento. Depois, fazer com que isto aconteça, ou seja, ter atitudes. Estas atitudes muitas vezes implicam em mudar completamente nossos hábitos, o que não é nada fácil. E por fim, manter-se vigilante para não se afastar de si mesmo novamente.
AT – A ideia de que o ser humano nasce sereno, mas perde essa característica à medida que cresce é correta?
Bernardete - Na verdade, não é o fato de crescermos, por si só, que nos tira a serenidade. Também não penso que todos os seres humanos nasçam serenos, porque para muitos de nós a experiência do nascimento foi traumática. Acontece, porém, que a realidade nos força a reagirmos às circunstâncias da vida e nos conduz a pensar que estar sereno é não ter reação, ou seja, é não crescer. É como se só pudéssemos aceitar e enxergar este estado de serenidade nos bebês, porque eles ainda não precisam enfrentar o mundo sozinhos. No entanto, volto a dizer, estar sereno nos permite enxergar o mundo de uma forma muito mais realista, porque afasta-nos em certa medida e temporariamente daquilo que precisamos ver com mais clareza. Para mim, a serenidade é uma das virtudes que deveria ser ensinada mais e mais às pessoas, pois certamente teríamos muito menos problemas no mundo se ela fizesse parte de nossas vidas."





“A serenidade real não é tão visível na face como nos olhos. Ninguém pode evitar ser sacudido, mas ser provocado e ainda manter-se capaz de mergulhar e tocar sua própria força, isto é mostrado somente através dos olhos. Quando uma pedra é jogada na vida de tal pessoa – uma crítica, um problema, um desafio – só a superfície fica agitada, nada mais”. ( Brahma Kumaris)




Fontes: AT Cotidiano