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sábado, 2 de fevereiro de 2019

Celebrando Lughnasadh


Fonte img: https://twitter.com/hashtag/lughnasadh



LUGHNASADH

Pronuncia-se 'lunasá', também conhecido como Lammas (pronuncia-se lamas) 
O festival celta de Lughnasadh  ou em inglês antigo, Lammas é comemorado em torno de 1/2 de agosto( no hemisfério sul  1/2 Fevereiro) ou aproximadamente a meio caminho entre o solstício de verão e o equinócio de outono, era tipicamente uma festa agrícola.É quando celebra a primeira colheita do ano e a passagem do verão para o outono.  Este é o primeiro dos festivais do ano, o da colheita. Agradecer aos Deuses o que colhemos e que faz parte do nosso processo evolutivo. Lembrar de que devemos nos livrar de tudo o que é antigo e desgastado para que possamos colher uma nova vida.

Reconhecer e celebrar a roda do ano é quase esquecido em sociedades cada vez mais urbanas, mas continua sendo relevante e profundo em importância.

O Sol está surgindo com Procyon, mas estamos entrando nos "dias de cachorro" em homenagem ao surgimento aparentemente heliacal de Sirius, a Estrela do Cão. Os dias são mais quentes, mas mais curtos. É a época da primeira colheita no Hemisfério Sul e o foco é nos grãos, que se sustentam durante os meses de inverno. Nesse sentido, Lughnasadh é um reconhecimento da força solar em declínio e da necessidade de preservar parte do que ajudou a produzir.



É no druidismo, associado a Lugh, o deus Sol na mitologia celta, o maior dos guerreiros," que derrotou os Gigantes". Incentiva a  nossa força sobre os desafios.
Também conhecido por" Lammas" por significar que significa massa de pão ( "a Massa de Lugh"). Isso se deve ao costume de se colher os primeiros grãos e fazer um pão que era dividido entre todos da familia e amigos.

COMEMORANDO O LUGHNASADH

Para a celebração, coloque sobre seu altar ou na mesa ( para os não druidistas) , feixes de trigo, cevada ou aveia, frutas da época e pães. Faça uma ceia com esses ingredientes.
Esfregue as pontas do trigo para que os grãos caiam sobre o altar ou na mesa.
Antes de ceiar diga ou mentalize:
"Eu partilho da primeira colheita, 
mesclando suas energias Com as minhas
para que possa continuar minha busca
pela sabedoria das estrelas E pela perfeição.

Eu ofereço meus agradecimentos pela ferfertilid continua da Terra,
assegurando o renascimento no calor da primeira vindoura."
Ou apenas faça um agradecimento, pelo alimento, pelo que colheu desde o último ciclo.

AMBIENTE ALEGRE, COM POSITIVIDADE. MOMENTO PARA DEIXAR PROBLEMAS E NEGATIVIDADES DE LADO. Aumente o som, com musica celta ou que lhe alegre e aproveite para se animar e se entreter, pois e um evento que da importância a jogos que reforçam a união familiar ou entre amigos.
Caso possa,faça uma guirlanda para decorar a cabeca (conexão com a Natureza) e entrar no clima ;-)

Para saber mais sobre as guirlandas de flores

ERVAS TÍPICAS DO LUGHNASADH

Flores de Acácia, Aloé, Talo de milho, olíbano, Girassol, Trigo, Maça Verde, Uva, Pêra, Groselha, Abrunho e Urze.

COMIDAS TÍPICAS DO LUGHNASADH

Pães, Grãos, Amoras pretas, Maçãs Verdes,  Frutas da época e Vinho de Uva.

Obs: Para quem gosta, pode explorar várias receitas com esses ingredientes doces ou salgados como arroz com entilha ou bolo de aveia.

As origens de Lughnasadh
A celebração de Lughnasadh tem sido de grande importância na Irlanda desde os tempos pré-históricos. Na primeira literatura irlandesa de mitologia irlandesa, o festival recebeu o nome do deus do sol pagão, Lugh Lámhfhada, que recebeu seu nome após o mês de agosto, Lúnasa em irlandês.

Lugh, outrora um grande rei da Irlanda, era um jovem guerreiro feroz e um líder dos Tuatha Dé Danann. Ele era um mestre em todas as habilidades, incluindo artes e ofícios e verdade, juramentos e a lei que gerou o famoso guerreiro irlandês Cu Chulainn.

A mãe adotiva de Lugh, Tailtiu, morreu no dia 1 de agosto de exaustão depois de limpar as planícies da Irlanda para a agricultura. Ela foi enterrada sob um monte em uma área conhecida hoje como Teltown, County Meath (uma área entre Kells e Meath).

Para homenagear sua mãe, Lugh realizou o primeiro Óenach, ou Aonach, a reunião de pessoas para comemorar a morte. Ficou conhecido como Óenach Tailten, ocorrendo na última quinzena de julho e na primeira quinzena de agosto.

Óenach Tailten uniu os reis irlandeses a uma paisagem de governo em Meath e, sob uma trégua, resolveria disputas entre si.

Honrar os mortos era extremamente importante para os antigos irlandeses, como é hoje, então mais Óenach começou a ocorrer em vários locais na Irlanda.

A data do primeiro Óenach Tailten é frequentemente debatida, mas pode ter sido tão cedo quanto o período neolítico. O último Óenach foi realizado durante o tempo do tempo Norman Invasion.

Alfândega celebrando Lughnasadh
Cumes, montanhas e margens dos rios são os principais locais para celebrar Lughnasadh. As festividades incluíam festas com as colheitas recém-colhidas, fazer pão, entretenimento com música e dança, matchmaking, comércio e jogos esportivos competitivos, mais notavelmente os Tailteann Games onde haveria exibições de luta livre, arremesso de lanças, corrida, salto longo e alto. e corridas de cavalos. Houve também concursos de contação de histórias e de ourivesaria de ouro.

Tal como acontece com outros festivais sazonais celebrações incluíram fogueiras, susceptíveis de homenagear o deus sol e louvar o bom tempo.

Saiba mais sobre os Festivais e a Roda do Ano


Costumes Modernos
Lughnasadh ainda é comemorado na Irlanda hoje. É comemorado em Ballycastle, Condado de Antrim, conhecido como a Feira de Lammas Auld geralmente no final de agosto, onde as pessoas vão passear pelos mercados comendo o tradicional homem amarelo.

Há também uma celebração realizada no Castelo de Carrickfergus, onde há reencenações de como a vida diária teria sido vivida. Você também pode esperar ver os festivais tradicionais em Gaoth Dobhair, Sligo, Brandon e Rathangan. O mais popular é o Puck Fair realizado em Killorglin County Kerry, remonta ao século 16, mas tem suas raízes em Lughnasadh.

A peregrinação de montanha Croagh Patrick no Condado de Mayo ocorre ano. A peregrinação atrai dezenas de milhares de peregrinos quando a Igreja Católica escolheu Lughnasadh para abençoar os campos.

Algumas organizações, como a Shannon Heritage, também realizam eventos para marcar Lughnasadh.

Nós podemos nunca ver a extensão completa do que o Óenach Tailten teria sido. No entanto, devemos lembrar como esses eventos foram importantes e ainda são na sociedade irlandesa.

Que sua colheita seja abundante!  
Feliz Lughnasadh!!! Bençãos á todos!!


Próximo Festival: Equinócio de Outono!
 (Alban Elfed  ou Luz de Outono, em torno de 21 de março).


Texto baseado nas fontes:
https://www.yourirish.com/traditions/festival-of-lughnasadhWikipédia
www.oldreligion.com.br/Sabaths/LAMMAS-ou-LUGHNASADH-Festa-da-Colheita

http://www.templodeavalon.com

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Energia nao se guarda, eh preciso que flua.


Energia atrai energia. Essa afirmacao nao eh desconhecida pra ninguem, embora uns nao acreditem e outros, como eu, acreditem plenamente;que da vida recebemos o que damos a ela. Apenas se complica, quando a troca de energia vem de uma outra pessoa,pois energia tambem eh troca e com isso, conseguir  o ideal equilibrio energetico, soh mesmo para um Dalai Lama...rs
As vezes vc estah leve e feliz,mas basta encontrar um ser rancoroso, pesado, insatisfeito com a vida, que vc logo sente o baque...rss Essas pessoas, podem ateh enfeitar o rosto com um belo sorriso, mas jah diziam nossas vovos , que quem ve cara, nao ve coracao. Magoas e insatisfacoes existem e TODOS passam por elas, o que diferencia o tipo de energia de cada pessoa, eh como cada um lida com isso.
Pessoas que valorizam o irrelevante e fazem do coracao uma caixinha com 2 compartimentos com lado A para as alegrias e lado M para as magoas, sendo que lacra o lado M com cadeado e faz questao de jogar a chave fora, nesse caso, acredite, pode passar a vida que essas nao esquecem, nao perdoam, dependendo va tomar um banho de agua benta ou cruze o corpo num terreiro forte, pois todas as pragas  que sao capazes de esconder ateh mesmo entre os dentes num sorriso falso podem cair sobre vc...rss Uns podem passar a vida `bolando` uma vinganca ou uma hora de dar o troco e tentarem assim se sentirem por cima...rss..Muito longe de quem levanta, soh sacode a poeira e dah a volta por cima, cada dia um novo dia.  Fico imaginando se nao viram depois aquelas almas penadas, daquelas que nao descansam pq nao conseguiram se resolver...rss Bom nunca se sabe, se vc conhece pessoas assim,  te prepara...rsrs   

Brincadeiras a parte, trabalhar as energias realmente nao eh facil, administrar os próprios sentimentos entao, muito menos.E, eh por isso, que muita gente poe os pes pelas maos, fala o que nao deve ou o que nao sente e seja para quem merece ou nao deve, afinal somos humanos e assim, provocando tantos desencontros e,nos capazes de odiar, inimizades irreversiveis.
Para libertar a alma e deixar o coração livre, com certeza nao eh para qualquer um, eh preciso mais que forca de vontade, eh preciso de muita espiritualidade e nenhum despeito dentro de si.

Caso voce tenha se precipitado, nao sinta-se despresivel, o importante eh se arrepender e tentar remendar eh mais que digno, eh luz, sinal que estah evoluindo. Ha muito tempo, ouvi algo que nao esqueci de um amigo, que errar eh humano, nao perdoar eh que nao era. Agora descordo, acho que pelo sofrimento guardado, nao perdoar so tende a nao desfazer esse no e acumular energia ruim, nao deixa de ser um erro e quem sabe, ateh maior contra si mesmo.

Nao sou uma profissional ligada a esse assunto, se alguem for, seria ateh bom falar sobre isso.

Acredito, que nada se iguala ao sono dos justos, tenha vc errado ou nao, o importante eh tentar consertar, mesmo que nao seja perdoado,vc fez a sua parte. Talvez o seu tempo, nao seja o da outra pessoa, pois eh preciso muito esclarecimento e isso, depende do progresso mental e espiritual de cada um.

Uma vez li numa frase que o cumulo da contradição, eh falar sobre amor quem guarda rancor. Caso se trate de amor verdadeiro com tudo que lhe compete, entao, acho que tem muito nexo.

Alegria, alegria, lembrem-se que tudo sempre tem o tamanho que nos mesmos damos. Energia estagnada eh pessimo negocio.Nao vale acalentar magoa ou raiva, que alem da alma ficar doente, pode adoecer o corpo tb. Eh preciso se dar valor o suficiente para nao se deixar aflingir ou acreditar que valha tirar a leveza da alma. Deixe as energias cumprirem seu curso e acredite que como elas sao dinamicas, a vida tb eh, tudo muda e pessoas tb.




domingo, 28 de agosto de 2016

Os Ensinamentos de Fintan e a Imortalidade

 No texto “Ensinamentos de Fintan”, de Bellovesos, encontra-se uma concepção muito interessante de imortalidade:

“A água cai do céu, corre pela terra nos leitos dos rios, descansa nos lagos, sobe nas altas ondas dos mares, retorna ao firmamento atendendo ao chamado do Sol e, quando a brilhante Grēnā assim determina, vem outra vez fazer fértil a terra. A árvore cobre-se de brotos na primavera, seus frutos amadurecem no outono, o inverno deixa-a nua e coberta de neve à espera de uma nova primavera que virá no círculo sem fim das estações. Os livros que vocês trouxeram falam de pecado, punição e morte. Não os li, não me interessam. Li o mundo. Em meu livro, a morte é porta que se abre para outro nascimento, inseparável da vida exatamente como a noite leva a um novo dia. Está escrito no mundo: tudo é passageiro na roda que começou a girar antes que o tempo existisse, que não deixará de seguir seu curso antes que o tempo acabe, pois somente aquilo que nasce dentro do tempo pode dentro dele ter fim. Imortal porque sempre renovado, vivo como o mundo vive. Por isso tornei-me testemunha de todos os reis.” (Ensinamentos De Fintan, por Bellovesos).


terça-feira, 9 de agosto de 2016

A Sacralidade da Terra

Acredito no planeta como um organismo vivo, no qual cabe à cada ser, sua parte na grande teia que formamos,onde cada um tem sua importância e valor. A  terra, é mais que mero significado de propriedade, é a força que sustenta raízes, nos dá alimento e traz a beleza , ainda mais em jeito de flor.
Quando um índio diz que sua terra é sagrada, é por estar depositado ali, tudo que ele precisa e acredita, a identidade de seus vivos e seus mortos, a vida de seus antepassados. Não é diferente do sentimento de qualquer um que reconheça o significado de tudo isso.
Eu sinto essa sacralidade quando penso na ancestralidade, quando percebo os pequenos milagres, como a força de uma semente buscando seu espaço em solo até então infértil. Quando abraço uma árvore ou quando tomo banho de chuva... Principalmente, quando colho meus espinafres e percebo uma frutífera carregada.
Não é difícil perceber essa magia quando se despe de toda informação inútil ao essencial.
Quando nos tornamos "nus" e adotamos a simplicidade e a humildade de perceber que somos apenas parte de um todo que é a essencialmente , a base da vida.

A Simplicidade se perde em meio à tanta complexidade devido à egos infláveis, ganância, futilidade e vaidade. Pessoas donas de verdades absolutas se digladiando ou odiando quem não adota a mesma fé ou mesma causa. O significado de felicidade se empobreceu com o materialismo e a coragem se acovardou diante às injustiças. A terra perdeu o seu sagrado, passou a ser um meio de se engordar a ganância num mundo "cada um por si". O grande paradoxal é haver tanta terra e tanta fome. Não é uma apologia aos 'Sem-Terra', mas uma crítica à péssima administração e falta de planejamentos coerentes para que possamos usufruir em sintonia. Deixar a Lei de Gerson de lado e realmente pensarmos como um todo, onde todos os seres possam encontrar vida e morte com dignidade.
Reencontrar o sagrado dentro de nós.

Sobre Morrigan



A deusa, portanto, possui um vasto domínio na mitologia celta, sendo deusa da guerra, da vingança, da fertilidade, das premonições, da destruição, da morte em batalha, e da magia. Domínios que, com a lógica dos celtas, tem uma certa conexão. A guerra destrói, abrindo caminho para algo novo renascer, e é justamente isso que significa a sua "fertilidade", no sentido de um novo ciclo livre para florescer.( 'Ela tem uma estreita associação com a água, em geral, com os rios em particular.')
É, também, vista nas visões como uma metamorfa que assume ora a forma de um corvo, ora a forma de um lobo. Dois dos animais sagrados da deusa.
As mais antigas narrativas de Morrígan estão nas histórias do "Ciclo do Ulster", onde ela tem uma relação ambígua com o herói Cúchulainn.
Para saber mais:
A Grande Rainha
A Incompreendível Deusa Celta

domingo, 26 de junho de 2016

#Morrigan

********Que Morrigan proteja e abençoe sempre o caminho dos fortes.


               The Morrigan: Maiden, Mother, Crone




terça-feira, 21 de junho de 2016

Blessings!

A roda não pára de girar. Vida é energia em movimento. Reflexão é movimento de energia interior e o inverno traz o ciclo do acolhimento para reflexão. As noites são maiores que os dias e esse momento " escuro",  nada mais é do que a oportunidade de se aventurar em seu próprio cosmos ,  se reestruturar para o despertar da sua semente interior com a
luz primaveril,  aquecendo suas folhas e que se possa florir.
Um Feliz e produtivo Inverno.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Quando passagens de livros ficam...

" Pratique a caridade sem ter em mente nenhuma concepção a respeito da caridade, porque caridade, apesar de tudo, não passa de uma palavra".
(passagem da pág 8_ Jack Kerouac)

quarta-feira, 27 de maio de 2015

A Fofoca Como Uma das Máscaras da Inveja (*Por Roque Theophilo)


"Conceito de Inveja
A inveja, segundo o Dicionário Aurélio, é o “Desgosto ou pesar pelo bem ou felicidade de outrem Desejo violento de possuir o bem alheio”. É muito elucidativa a descrição de Inveja escrita por Ovídio: “A Inveja habita no fundo de um vale onde jamais se vê o sol. Nenhum vento o atravessa; ali reinam a tristeza e o frio, jamais de acende o fogo, há sempre trevas espessas(…) . Assiste com despeito aos sucessos dos homens e este espetáculo a corrói; ao dilacerar os outros, ela se dilacera a si mesma, e este é seu suplício”.
(…) A aversão à inveja é milenar, pois ela sempre foi desdenhada entre todos os sentimentos humanos. É a vilã contumaz das histórias, trazendo consigo a devastação e a catástrofe. (…) Mesmo assim, uma pessoa razoável é capaz de admitir com pudor, ter alojado sentimentos claramente invejosos em determinadas situações da vida, principalmente quando hostiliza e se entristece com o sucesso do outro, lamentando a vitória de um rival. (…). Descobri-la, camuflada em nosso inconsciente, como um espião inimigo, faz-nos pensar somente em dar-lhe um fim rápido e definitivo. Tentar extinguir a inveja é, além de inútil, bastante perigoso. Só faz estimular seu apetite de desmancha-prazeres e ainda cria a ilusória impressão de havê-la derrotado de uma vez por todas, coisa humanamente impossível. Geralmente, apesar da estima que se tem por alguém e se este tiver “status”, a inveja cavilosamente se instala, como produto de comparação, com as outras pessoas, sendo, pois uma auto aversão pelo fato do invejoso não ser igual aos outros.
Diferença entre inveja, e a luta para a conquista do bem-estar.
Não deve ser confundido o fato de uma pessoa lutar para conquistar o objeto de desejo, e pela conquista dos seus ideais quando feito com ética. Este eu competitivo está muito enraizado dentro de nós. Se passarmos a viver a vida com uma forma de competição regrada, com certeza aproveitaremos e muito as oportunidades que termos, e mesmo diante do fracasso saberemos reconquistar o elã pela luta sem o teor da inveja pela vitória do outro. (…)
Existe, entretanto, no invejoso uma compulsão de que se uma pessoa se destaca em alguma atividade, por mais simples que possa parecer, ele está sempre pronto para criticar e tentar minimizar o sucesso de seu próximo. Um sentimento de raiva, de ira, se apossa geralmente do invejoso porque ele sente-se o merecedor da conquista da outra pessoa, achando que ela invadiu o seu território, não atinando para a sua incapacidade ou inércia, sendo capaz de boicotar, de “fofocar” ou de preparar armadilhas, a fim de destruir o outro, para provar, ao menos hipocritamente para si mesmo, que ele é melhor, embora no seu íntimo, sente-se menor do que os outros.
(…) A melhor solução pode estar na forma de utilizar e de encarar a inveja, que visualizada em termos comparativos pessoais de evolução, do antes e depois, do ontem e do hoje, deixa de ser inveja destrutiva para ser uma inveja de autoestímulo, isto é o padrão de comparação deixa de ser externo e passa a ser interno.
Considerações Psiquiátricas
(…) Sob o ponto de vista psicológico, a alegria, o medo, a ansiedade e a ira são emoções naturais que ocorrem com todos os indivíduos, das mais diferentes culturas. As emoções estáveis afastam, como poderosos motivadores, a conduta invejosa, porque as emoções exercem importante papel no bem estar psicológico dos indivíduos afastando o poder reptício da instalação da inveja. As emoções têm um forte componente na saúde e na doença porque através das propriedades motivacionais, têm a capacidade de estabelecer condutas “sadias” (exercício físico moderado, dieta equilibrada, descanso, lazer, etc.) e “não sadias” (consumo de drogas, sedentarismo, desânimo, ansiedade, ira, tristeza-depressão, sendo consideradas as três ultimas emoções negativas as mais importantes).
Em suma os componentes doentios que acompanham os invejosos, não acontecem com os portadores das emoções positivas que vivem experiências agradáveis como a alegria, a felicidade e o amor. Hoje há dados suficientes para afirmar que as emoções positivas potencializam a saúde mental, enquanto as emoções negativas tendem a diminui-la.
O sintoma nuclear dos sintomas cognitivos é o medo da avaliação negativa que os outros podem fazer, e defensivamente seus portadores atacam antes de serem atacados, criando um clima que se caracteriza com uma forte incidência de inveja. Quando o invejoso se sente ameaçado na presença de outros, procura situações defensivas, como por exemplo, a “fofoca”, repasse distorcido e mal intencionado de um fato com uma única intenção de difamar a pessoa do invejado, quer pela calúnia, informação falsa, mentirosa, difamadora etc. O fofoqueiro, em lugar de se esforçar para crescer e progredir prefere denegrir os outros para compensar a sua indolência e ociosidade. (…)
Máscaras da Inveja
No dicionário de Psicologia de Henri Pieron, o verbete máscara tem o designativo de persona e vem com a seguinte conceituação: “Máscara que simula a individualidade e dá, tanto aos outros como a si próprio, a ilusão da individualidade, embora só se trate de uma máscara de “psique coletiva” que representa um papel” (Jung,1923). A máscara é, pois, um artefato que caracteriza um aspecto superficial e falso. (…) “A inveja tem uma grande máscara que é o despeito” (…)
Compulsiva: É o desconforto, sentido por uma situação vivida pelo outro. (…) Exemplos: a inveja do feio pelo bonito, o rico do pobre, o inculto do inteligente etc.
Verdadeira: A sua característica é o fato de que o “bem alheio é considerado um mal próprio”, (…) a autoimagem que criam faz com que se sintam humilhados aos seus olhos e ao dos demais, daí a constante antipatia e aversão do invejoso por pessoas felizes e benquistas por causa da baixa estima.
Lamentação: Os invejosos julgando-se abandonados e esquecidos (…) por acharem que somente o seu vizinho é privilegiado. (…)
Mascarada: A máscara da hipocrisia é um disfarce para esconder os invejosos das verdadeiras intenções. A inveja mascarada faz com que a sua vítima expresse sorrisos afetuosos e palavras amáveis com o intuito de encobrir a compulsão maldosa que carrega dentro de si. (…).
Piedosa: Os que se mostram mansos e humildes de coração podem ser portadores da inveja “piedosa” (…).
Melancólica: O pensamento de Tomas de Aquino ao dizer ”Pode-se ter tristeza (melancolia) diante do bem alheio não porque o bem que ele tem nos falta”. A melancolia surge porque não termos as mesmas coisas que admiramos nele. (…).
Maledicente: É torpe, ignóbil. Repugnante, obscena por ser desonesta. (…) “o bem alheio têm por mal próprio, e não podem conter-se que não falem mal da pessoa invejada, vomitando contra ela detrações e calúnias”.
Competitiva: A sua arena situa-se quando duas ou mais pessoas competem quer em emulação construtiva e portanto positiva, ou destrutiva, que é negativa. O consumismo desenfreado é um forte componente para a instalação da inveja competitiva que está se ampliando cada vez mais
Odiosa: Tais invejosos acham que não existe bondade, e se alguém aparece com tal comportamento, o catalogam de hipócrita, dizendo que atrás de tal bondade esconde-se algum interesse escuso (…).
Insensata: Os invejosos insensatos pensam “Se eu tivesse a metade que o outro tem eu seria feliz”. Será? (…).
Passiva: São servis, porque sob a máscara da servidão vão repticiamente corroendo as bases das pessoas que invejam, ao contrário do ativo que é eloqüente, usando uma verborragia com o intuito de envolver e enganar os outros com palavras vazias.
Medíocre: Os invejosos envolvidos pela mediocridade bajulam perdendo os foros das qualidades boas que determinam a conduta e a concepção ética, em razão da forte ansiedade que sentem.
Orgulhosa: São arrogantes e por vaidade perdem a dignidade, que é a sua antítese. Sem autoestima porque não tem amor próprio se alimentam de elogios bajulatórios (…) estão sempre preocupados com “o que será que os outros pensarão de mim”.
Vaidosa: Aquele que tem o desejo imoderado de atrair admiração ou homenagens vive se comparando aos outros, e apesar de a pessoa comparada ser inferior assim mesmo o invejoso vaidoso através da competitividade maligna compara-se ao inferior. Fica procurando “agulha no palheiro”, para encontrar a mínima diferença, para logo passar a sentir inveja da pequena diferença que o outro tem (…).
Neurótica: Os portadores de distúrbios de personalidade podem apresentar comportamentos invejosos devidos a ressentimentos oriundos de depressões e de distimia, que é um estado em que a pessoa está sempre mal humorada, melancólica, etc. "
*Roque Theophilo era Psicólogo e Jornalista Profissional, é autor do título «O Amigo Psicólogo». Foi Presidente das Academia Brasileira de Psicologia e da Academia Internacional de Psicologia, e um dos pioneiros da Psicologia no Brasil.
FONTE: Blog Papeando com a Psicologia / Academia Brasileira de Psicologia